Empresa, que tem parceria com chineses, fala de custo de geração na casa dos R$250 por MWh
A espanhola Sun Premier chegou de mansinho ao mercado brasileiro, mas já conta com 600MW em projetos de geração solar em seis Estados - Bahia, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraíba, Piauí e Tocantins. Desses empreendimentos, cerca de 30% estão sendo desenvolvidos em parceria com a chinesa Sky Solar. A expectativa é de que as usinas estejam em funcionamento até 2016.
Pelos planos da companhia, cerca de R$2 bilhões deverão ser aportados na América Latina até 2020, sendo 80% dos investimentos concentrados no Brasil. O valor engloba outros projetos da empresa na área de energia eólica e biomassa. Segundo o representante do grupo espanhol, Alex Alonso, ainda não há uma definição da parcela a ser direcionada para cada fonte e o destino dos projetos também dependerá da regulamentação para a área solar no País.
Da mesma forma, o executivo diz que espera a regulação para definir como será feita a venda da energia dos projetos. A grande expectativa é em relação a eventuais leilões para contratação da fonte, questão ainda em estudo no governo. Mas um dos projetos, no Tocantins, pode ter a produção voltada para a autoprodução, embora a ideia ainda seja, segundo Alonso, muito embrionária.
O executivo revela que a regulamentação da microgeração causou entusiasmo nos investidores europeus, mas que, numa visão macro, não significou nada. O motivo para isso, segundo ele, é a percepção de prioridades do governo. “Seria mais lógico desenvolver um parque solar em pequenas comunidades do Nordeste do que fazer linhas de transmissão", aponta, em uma crítica velada a pesados aportes feitos para interligações do Programa Luz Para Todos.
A Sun Premier também contratou uma empresa para fazer o levantamento do custo da energia solar no País e acredita que pode assumir um custo numa faixa entre R$220 por MWh eR$250 por MWh. Mesmo assim, tudo dependerá dos recursos e incentivos concedidos pelo governo brasileiro.
A empresa, inclusive, já possui planos de implantar uma fábrica no País, junto com a Sky Solar e outros sócios locais. O aporte seria em torno de U$45 milhões e a planta teria como objetivo fornecer equipamentos para projetos locais e em países vizinhos, como Chile e Argentina, onde os chineses prospectam usinas de 20MW e 15MW, respectivamente.
“Temos tentado mostrar para o governo brasileiro que temos sol, mas não usamos; temos silício e também não usamos. Com um marco regulatório para a energia solar, os investidores virão e o Brasil não terá só uma fábrica, ou uma montadora, mas terá diversos fabricantes”, pondera o executivo.
O primeiro local cotado para a instalação da fábrica é o estado de Tocantins- pela “boa relação da empresa com o governo do estado”. Mas, caso haja regulamentação no setor ou licitação em algum outro estado, a empresa se diz aberta a possibilidades.
Fonte: Jornal da Energia
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